Lobão - De pazes com a indústria, Lobão faz ótimo acústico!

Junho 1, 2008 at 11:04 pm (Bibliografia, Direitos Autorais, Matérias Jornalísticas)

Salve rapazeada, devido à falta de tempo, entre tcc, feriado no JUCA e freelances, fiquei um tempo sem postar. Mas agora estou voltando com uma entrevista, retirada do site oficial do lobão. Coloquei o link oficial do site aqui no blog.

http://lobao.uol.com.br/

Folha de SP, por: Ivan Finotti (15/4/2007)

De pazes com a indústria, Lobão faz ótimo acústico!

A Ilustrada estampou “Cordeirão” em sua capa de duas semanas atrás, em
referência a Lobão ter resolvido voltar ao “sistema”. Vinte e cinco anos de
declarações tipo “eu sou mais eu” (e denúncias contra o jabá), oito anos de
brigas com gravadoras (em especial sua ex, a antiga BMG), três CDs lançados
em bancas de jornais (e numerados, para espezinhar a indústria) e, agora,
uma toalha no meio do ringue.
Após tachar de decadentes alguns de seus colegas músicos que aceitavam
fazer discos acústicos caça-níqueis, aqui está ele lançando o seu. Mas, como
Lobão respondeu na mesma reportagem, “pô, o que eu posso fazer se o nível
melhorou?”.
É verdade, e esse “Acústico MTV - Lobão”, além de provar isso, também faz
lembrar daquela expressão popular dos bichinhos, aquela em que o lobo não
vira cordeiro, só joga uma pele por cima para enganar os incautos.
O homem já entra com os dentes à mostra. “Eu sou o tenebroso” é a primeira
frase que Lobão cospe no CD, em “El Desdichado II”. É uma grande canção de
seu primeiro trabalho sem grandes gravadoras por trás, “A Vida É Doce”, de
1999. E já indica que esse acústico terá uma outra função além daquela
“velhos sucessos reunidos”: vai atualizar a obra do cara para a grande maioria
que não acompanhou sua viagem pelo universo paralelo da independência.
O disco de 1999, por exemplo, comparece com três outras músicas e, nesse
sentido, bate fácil qualquer um dos grandes sucessos de Lobão, como
“Ronaldo Foi para a Guerra” (LP de 1984, com duas músicas: “Me Chama” e
“Corações Psicodélicos”), “O Rock Errou” (de 1986, com duas: “Canos
Silenciosos” e “Noite e Dia”) ou “Vida Bandida” (de 87, que aqui tem “Rádio
Blá”).
O empolgante é que, com hits inesquecíveis para uma geração ou duas,
Lobão não parece aqueles artistas chatos que insistem em tocar as últimas
quando todo mundo quer ouvir as velhas. Não, ele é capaz de emocionar sem
recorrer ao passado. “Vou Te Levar”, música dessa fase independente que
passou longe das rádios, é uma das mais belas canções de amor perdido do
rock brasileiro.
Frases tipo: “Retratos estampados do nosso amor/ (…) Revelando pra sempre
a gente/ Nosso orgulho um do outro, olhando pra lente/ Como quem
dissesse: não queremos mais nada nesse mundo/ E que me lembrasse a cada
instante/ Que valeu a pena cada lance/ E que valerá, tenha certeza/ Pra toda
a vida…”
Seguem-se a emocionada “Quente” (de “Canções Dentro da Noite Escura”,
2005), uma leitura sambinha de “Por Tudo que For” (1988), “Noite e
Dia” (1986) e, finalmente, aquela que ninguém consegue deixar de cantar
junto, “Me Chama” (1984). E Lobão ainda canta “mágicas no absurdo” com
tesão, pode ouvir.
“Corações Psicodélicos”, outro grande sucesso do mesmo ano, com sua festa
na floresta e tribos ateando som, recebe uma divertida versão debochada,
quase bêbada. Mas a gente sabe que é recurso estilístico, não etílico, porque
o Lobão sempre foi da turma dos caretas… Tá bom, então.
E tudo termina, enfim, em completa oposição ao “eu sou o tenebroso” lá de
cima, com a canção “A Gente Vai se Amar” e os seus versos: “E depois da
escuridão/ Haverá um lindo sol/ E a gente vai se amar/ E a gente vai se
amar”. É o Lobão otimista, quem diria?

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