Renato Mota – Jornal do Commercio – PE
No Brasil, lojas virtuais precisam negociar com os artistas e também com as gravadoras para só então passar a comercializar uma canção
“O mercado de venda de música pela internet no Brasil é pra gente grande”, resume o diretor de Compras do Uol, Gil Torquato. A compra de MP3 pela web, embora tenha crescido nos últimos anos, ainda enfrenta complicações em relação à negociação sobre direitos autorais e aos downloads ilegais.
“O problema é a legislação brasileira”, reclama o gerente da Uol Megastore, Jan Fjeld. “Para poder colocar uma música à venda, precisamos primeiro entrar em contato com o artista, o que não acontece com outros países, onde podemos disponibilizar o arquivo antes de contactar os responsáveis. Isso acaba atrasando o processo todo”, diz Fjeld, que hospeda mais de 600 mil faixas, e espera chegar a um milhão ainda este ano.
A Uol Megastore não está sozinha na empreitada. “Meu dia-a-dia é ir atrás das gravadoras para saber quem são os compositores e poder enviar o dinheiro das vendas”, afirma o gerente de produtos do site Sonora, pertencente ao portal Terra, Beni Goldenberg.
Todo esse processo acaba tomando tempo e dinheiro. “É um trabalho a mais que nós temos, que não existe quando negociamos com as gravadoras estrangeiras, e acaba encarecendo o produto final”, explica Goldenberg, que administra um catálogo de mais de 500 mil músicas.
Sites de vendas de música no Brasil precisam fechar dois contratos separados para colocar um disco na rede.
Uma dificuldade a mais é se uma única faixa for assinada por mais de um compositor, e cada um com uma editora diferente, resultando em um lucro cada vez mais dividido. “Em alguns casos, a gravadora nem sabe direito quem compôs a música”, diz Goldenberg.
O preço final da faixa sofre três influências: o lucro da loja, o valor recebido pela gravadora por disponibilizar a música, os direitos autorais recebidos pela editora e os impostos (PIS, Cofins e ISS). Segundo Torquato, um álbum digital é muito mais barato do que comprar um CD, já que elimina os custos da gráfica, do transporte, da caixa… “Algumas gravadoras não entendem isso, e estipulam um preço para cada faixa de forma que os dois tipos acabam ficando equivalentes.”
Uma forma encontrada pelos sites para baratear as faixas é negociar com as gravadoras.
“Tem casos em que tanto nós quanto os donos da faixa abrimos mão do lucro, e conseguimos fazer promoções com músicas a R$ 0,30, para alavancar a venda de outros arquivos do mesmo artista”, conta Torquato.
Por mais baratas que estejam as músicas pela internet, fica difícil concorrer com o download ilegal, e gratuito, dos usuários. “O que a gente pode oferecer é qualidade”, defende Fjeld.
“Nossos arquivos têm qualidade de CD e são garantidos contra vírus, o que não acontece com muitas músicas baixadas por aí na rede”, argumenta. A rede brasileira se limita a quatro grandes sites – e um punhado de independentes.