Maio 7, 2008...11:16 am

Gilberto Gil critica modelo “mastodôntico” das gravadoras

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São Paulo – Ministro da Cultura diz que é preciso criar modelos de negócios mais ágeis para música e promete lançar músicas antes na web.

Gilberto Gil, o compositor, é um visionário. Ao anunciar o primeiro canal de um grande músico nacional no popular site de compartilhamento de vídeos YouTube, ele quer sinalizar para a indústria que é preciso adotar urgentemente novos modelos de negócios no Brasil.

“Eu sou um pouco cientista e um pouco cobaia”, declarou o Ministro da Cultura, durante uma videconferência da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. “É preciso encontrar novos modelos de negócios mais ágeis e sair dessa coisa mastodôntica das ‘majors’. Vamos entrar no modelos das ‘minors’”, pregou.

As ‘majors’ citadas por Gilberto Gil é como são chamadas as grandes gravadoras de músicas, entra elas a Warner, com quem o ministro tem contrato e diz que não vai romper, acrescentando que quer ser um laboratório para a gravadora experimentar novos modelos.Entre os modelos que Gil quer experimentar está, além do canal exclusivo no YouTube, que estreou com uma música gratuita exclusiva, o rompimento com os álbuns da forma como são produzidos atualmente.

Em sua visão, que ele pretende colocar em prática com seu próximo CD, “Banda Larga Cordel”, é preciso privilegiar as lojas virtuais e os downloads gratuitos antes mesmo da venda do álbum fisicamente nas lojas tradicionais. “A Warner precisa se adaptar”, ratifica.

O que Gil já vislumbra, bem como a indústria fonográfica já sabe, é o crescimento do mercado de música digital.

Segundo dados do Nielsen SoundScan, as vendas de CDs caíram 19% em 2007 nos Estados Unidos. Já a comercialização de álbuns digitais e músicas cresceu 54% e 45%, respectivamente.

O problema é que no Brasil, apesar de recentes iniciativas de iMusica, UOL, Terra e iG, ainda é um calvário uma música chegar ao formato digital e ser comercializada por uma das lojas online disponíveis.
Esses sites precisam fechar contratos com a gravadora, que é dona música, e as editoras, que são responsáveis pelos direitos dos compositores.

As lojas também usam um sistema de proteção contra pirataria (DRM, da sigla em inglês) em cada música, para evitar que ela seja copiada indiscriminadamente pela internet. Nos EUA, algumas gravadoras já vendem a música sem DRM.

Mas o grande problema é que o acervo, apesar de crescente, ainda é bastante limitado, quando comparado com as lojas internacionais, como o iTunes, da Apple.

O ministro Gilberto Gil não prega apenas esse novo modelo de negócios. Ele já o pratica. Durante a turnê “Banda Larga”, que passou por várias cidades européias e brasileiras, ele criou um blog que mostra os bastidores do show e incentiva os internautas a mandarem fotos e vídeos.

Ao contrário da maioria dos espetáculos que começam com o sisudo aviso de que é proibido fotografar e filmar, Gil entra no paco e avisa: “Por favor, filmem, gravem e fotografem”. O material depois pode ser colocado no blog da turnê.

Gil não é o primeiro artista a pregar esse novo modelo de negócio. Mas é talvez o mais influente compositor brasileiro a abraçar e defender com entusiasmo os novos tempos da internet. Com 65 anos, Gil parece estar ainda sintonizado com  o gosto popular.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/

Por Ralphe Manzoni Jr. editor executivo do IDG Now
Publicada em 21 de janeiro de 2008 às 15h22
Atualizada em 22 de janeiro de 2008 às 08h59

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